29 dezembro 2006

Brasil possuído

Ando sumido. Estive ocupado com outros projetos, não tendo tempo para acompanhar o noticiário com a atenção necessária para não escrever besteiras. Levando em consideração os últimos acontecimentos, acho que posso me considerar abençoado...

Hoje viajo em férias. Como não sou tarado como o Reinaldo Azevedo (nem tão competente, evidentemente), vou continuar ausente. Pelo menos me resta o consolo de não ter de assistir à posse do Energúmeno-Mor, do Duba-Dubá, do Anhangá-Tinhoso, do Canho-sem-um-Dedo. Não sentirei ânsias ao ver aquela cara-de-pau a estampar sorrindo o deboche à inteligência, à dignidade, à honradez. Não precisarei contemplar a "queima" de um milhão de reais obtidos à custa dos impostos dos que suam a camisa para sustentar os néscios do governo os ainda mais néscios que os elegeram. Não serei obrigado a presenciar, ainda que à distância, o desfile de hipocrisia dos aliados apaniguados, dos traidores do povo, do séquito de duas-caras. Estarei livre do "Espetáculo da Democracia", transformada por este povo insano na Apologia da Indecência. Terei alguns dias para respirar um ar não conspurcado pela vergonha.

Mais cedo, a caminho do trabalho, deparei-me com uma faixa (para quem é de Brasília, está afixada no "Buraco-do-Tatu", sob a Rodoviária) com os dizeres:

"Lula, tome posse do Brasil!"

Descobri então que não elegemos - ou melhor, elegeram, porque eu não votei nele - um Presidente da República, mas sim um Dono do País. Em vez de se apontar um empregado (por que é isso que eles são, embora se recusem a admitir) do povo, foi escolhido um patrão? É mais uma prova do viés autoritário cultivado pelo PT. Pois eu não estarei dando a Lula a posse do país. Não só porque não estarei aqui para isso, mas porque não lhe dou direito sobre o Brasil. Não importa o quanto ele queira ser o todo-poderoso, ele terá de cumprir a Constituição. Estará a nosso serviço, incluindo "a Zelite" que ele tanto detesta (a menos que deixe cair a máscara e se revele o ditadorzinho que acalenta dentro de si). Mas não conto com isso. Para mim, daqui a três dias começam quatro anos sem presidente.

Até a volta!

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